Falar
de antagonismo sem ser antagônico é no mínimo cômico, senão trágico. Mas
parafraseando Odorico Paragaçú: “Vamos botar de lado os entretantos e partir
para os finalmente”.
Mas
o risco que corro neste momento e tão grande quanto o de discordar de grupos
extremistas religiosos, quais até me pergunto, são os mesmos, religiosos?
Enfim!
Em 1995 pela TV Globo assistíamos a novela A Próxima Vítima qual, dentre seus
personagens, tinha a dupla Sandrinho (André Gonçalves) e Jefferson (Lui
Mendes), sobre eles pousou no dia capítulo final a expectativa sobre o
possível beijo gay da TV em “horário nobre”. Pois bem, de lá até o dia 31 de
janeiro de 2014, a cada, “soap opera” das nove, pairava esta
inquietação. Até que, em Amor à Vida, de Walcyr Carrasco, Mateus Solano (Felix)
beijou o “carneirinho” (Thiago Fragoso), o episódio final, inclusive
ganhou ares de final de copa de mundo.
Ótimo,
fato posto, então a democracia ganha! Quebra-se a barreira do preconceito e
viva as relações homoafetivas, certo? Errado! Antagonicamente, resolveu-se
inverter a situação e começar, ao invés de terminar uma novela, com beijo gay. Em
pleno século XXI, a trama noturna ganha ar de horrores, quando no primeiro
capítulo de Babilônia, Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, protagonizam um
demorado beijo gay entre duas distintas senhoras. “Ato Falho”, pois estas
agraciadas atrizes chocaram o país gerando uma revoltosa ojeriza nacional, ou
não, não me compete. Contudo, vê-se aí uma incógnita hipócrita? Ou um antagonismo
democrático?
Sobre este assunto (homoafetividade) tão antagônico e
rodeado de hipocrisia, foi abafado ou pouco divulgado o fato de o eterno
Capitão Nascimento – ator Wagner Moura, qual carrega vários sucessos de
bilheteria, ter tido, como “esquecido”, no cinema brasileiro o filme Praia do
Futuro - 2014, qual também interpretava um militar (salva-vidas). Mas, ao invés
de torturar com sacos e cabos de vassouras, além de atirar sem dó ou piedade
nos caras do mal (quem é mal mesmo?), seu personagem apaixona-se por um de seus
resgatados e ambos protagonizam cenas, no mínimo antagônicas, para os nossos “padrões”,
ao ponto de causar a saída de várias pessoas em diversas salas de cinema. Ser durão,
torturar é legal, da audiência e bilheteria, ser gay e romântico não? Isto é Antagonismo
democrático ou incógnita hipócrita?
Em
fatos recentes, após serem contra, 24 deputados federais, antagonicamente,
votaram a favor da redução da maioridade penal no Brasil. Pergunto-me, quanto
de “lobby” empresarial há por trás de tudo isso? Pois, se sou capaz de
responder criminalmente a partir dos meus 16 anos, então civilmente, também
posso arcar com a responsabilidade de beber, fumar, dirigir, etc. etc., inclusive,
até já posso votar, desde 1988.
Mas, lógico, não é bem assim, pois a PEC trata de crimes
hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. Ufa,
menos mal! Pois furtar ou roubar, sem disparar a arma ou usar a faca não é
hediondo. É horrendo, espantoso, aterrorizante, desesperador, traumatizante,
mas não é hediondo! Então, tudo isso é Antagonismo democrático ou incógnita
hipócrita?
Sobre este contexto ainda paira uma grande duvida: -
Temos vagas em presídios para esta “nova população”? Não obstante, em época de
crise, o correto é economizar, mas antagonicamente, a PEC aumenta ou custos,
pois, um detento, no Brasil, custa até 3 vezes mais do um aluno na rede
pública. É uma boa incógnita para ser resolvida!
Ainda sobre fatos recentes e mudando de assunto. Assistimos
em redes sociais uma depredação pública do jornalista Zeca Camargo por dizer
que não entendia tamanha comoção, ou algo assim, sobre a morte de Cristiano
Araújo, vitima de um trágico acidente, juntamente com sua noiva, que Deus os
tenham (se assim merecerem). Mas, não vivemos numa democracia? Onde posso
exprimir minha opinião, ou exprimir minha opinião só é permitido quando for
igual a de todos os demais? Isso é uma incógnita hipócrita ou antagonismo
democrático?
Falando em redes sociais, é antagônico perceber que a
velha máxima: “Ninguém tem nada haver com a minha vida”, torna-se uma incógnita
hipócrita, uma vez que, deixamos lá tudo exposto, nu e simplesmente à vista de
quem quiser, ou para quem sabe fazer, para quem você permitir que veja. No entanto,
nenhuma critica pode ser dirigida sobre o conteúdo exposto, afinal ninguém tem
nada haver com sua vida! Antagonismo ou uma incógnita?
Impressiono-me com a discussão política que se instala em
nosso país. Pois no auge de minha adolescência, final dos anos 80, ainda com a
resseca do regime militar e etc, íamos às ruas de cara, apenas, pintadas! Hoje no
ápice da democracia, às vezes até libertina demais, no meu conceito, pois
perde-se o respeito, e este independe de erros ou quaisquer outras
circunstâncias. Vê-se vulgos idealistas cobrirem seus rostos de máscaras e
provocarem verdadeira baderna em nome da democracia. Já temos uma democracia! O
que não se concebe, por estes outros, é o resultado dela. No entanto, a
incógnita é saber: por que os eleitos, por eles, são os mesmos de pleitos
anteriores? Isto é uma incógnita ou um antagonismo?
Sobre estas discordâncias teríamos condição de relatarmos
milhares de situações. As ambiguidades, as indiferenças, as próprias diferenças
e igualdades são geradoras de incógnitas. São as religiões, suas interpretações
e dogmas. É a política, a livre expressão que fazem a democracia, mas o quão de
fato é democrático se não há respeito pela opinião alheia? Isso é hipocrisia.
A incógnita é na matemática motivo de estudo e fato gerador
de razão, pois uma vez resoluta cessam-se as dúvidas. Quando temos algo
antagônico, ou seja, contraposições, uma das formas mais práticas de
resolvermos é através da democracia, pois pelo poder emanado ao povo, do povo e
para o povo, a maioria vence dando solução ao que não se há generalidade. Sendo
que, assistimos uma hipócrita posição de derrotado vencedor. Ou seja, não sou
eu da minoria que perdeu em votos, mas são eles os “ignorantes e burros” da
maioria que não sabem votar, isso é democracia ou hipocrisia? Ou Tudo não passa
de um Antagonismo democrático, será esta a nossa incógnita hipócrita?
Glauberto
Laderlac – Julho/2015

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