quarta-feira, 24 de junho de 2015
PORTA ABERTA
Tua mudez é para fugir de mim ou sou eu que fujo de te?
Que medo é esse que tua presença me causa?
Para onde levastes minha coragem que não encontro nesta sala?
Nada me explique, nada me diga, continue assim, calada.
Não me importa o perigo corro
Não fará diferença qualquer prejuízo, já estou quebrado
Apenas não finjas que não existo
Diga-me ao menos pra que lado devo ir
Pode soltar minha mão. Apreendi a cair. Não me arranho mais
Sei que não entendes, nem se esforce, gastará suas energias
Nada explica ou traduz, nada é claro ou faz sentido, tudo é fugaz
Dê-me um sorriso, olhe por baixo para mim, assim já serve, já me faz feliz
Agora, por favor, abra-me a porta, deixe-me sair
Por favor, abra a porta, minhas mãos estão ocupadas
Cobrem meus olhos, minha vergonha não os deixa abrir
Não diga nada, continue calada, não se atreva a me ouvir
Feche a porta não me deixe voltar
Ajude-me, tranque-a, não se iluda, vou tentar
Gritarei e pedirei, mas tenha certeza, minhas forças vão acabar
Portanto, garanta-me que, não mais vai me deixar entrar
Autor: Glauberto Laderlac
O CIRCO
Vejam... as crianças e seus amores
Olhem... os cachorros, eles dançam
Sintam... todos cantam
O cheiro é de luz
O palco o picadeiro
A corda-bamba reluz
O perigo do desejo
Ela voa, salta, encanta
Ele atira, gira, canta
Eles são alegres
Elas e suas poucas vestes
Então todos param
Então todos suspiram
Então todos torcem
Então todos gritam
Mais uma noite
Há arrumação
Mais um dia
Há tradição
Caminha o circo
Fazem os vagões
Caminha o corço
Levam ilusões
E o palhaço agora escreve
Sem encantar multidões
E o palhaço agora esquece
Que não vive sem grilhões
Segue a vida alegre
Eu aqui...
Sem circo, sem pão
Num papel bobo
Amargando a solidão
Autor: Glauberto Laderlac
SER OU TER
Certas coisas me abalam, me fazem tremer.
Situações que não me dizem respeito, que jamais vou resolver.
Atos que me atrapalham que, me levam a perder o controle do senso, ridículo me fazem ser.
Não são de minha conta, não posso me intrometer.
Lembro-me do que faço e ninguém há de reconhecer.
Fico pensando que o que faço é pouco, por isso demoram a perceber.
Mas, quando comparo, vejo que tudo é inverso, não sei mais o que fazer.
Faltam-me as palavras ou a coragem de dizer.
Que estou aqui pronto pra te atender.
Dar-te tudo o que não tens e ensinar tudo o que, comigo, podes aprender.
Ser um guia e com toda a paciência te entender.
Escolher o que for melhor: o ser ou ter.
De pouco me importar se irão me repreender.
Nada mais me doe do que te ver:
Sentada nesta estrada que nada há de te render!
Que pecado é este que tenho que responder?
Prefiro o castigo, mesmo que doloroso, logo, receber.
Mas sei que dirás não, pois tens muito a perder.
Mas espero, um dia, algo de diferente acontecer.
Aguardo que os teus olhos, um dia possam ver.
O que este meu triste olhar teima em esconder.
Pois, é minha intenção, sem nenhuma restrição, te ter.
Levar-te a um lugar onde possamos saborear a aventura de viver, morrer e renascer.
Ver-te me faz ser,
Menino a crescer sem nada da vida entender.
Quero apenas, em teus braços, todos os dias, amanhecer.
Mas sei que, me dirás não. Pois, jamais irei, tudo isso, te dizer.
Autor: Glauberto Laderlac
Autor: Glauberto Laderlac
CALADO
Meus cabelos brancos caem sobre minhas mãos calejadas
Meus olhos fundos já não me dão trazem tanta luz
Minhas pernas tremem e meu corpo já não seduz
São poucas minhas histórias, por isso, tantas horas caladas
E onde estão todos aqueles que viviam do meu bolso?
Para voaram os pássaros que comiam na minha mão?
Será que tudo que ensinei foi em vão?
Porque agora ninguém me tira do poço?
Então venha, chegue logo
Não suporto mais tanta solidão
É tão triste e frio ficar sozinho neste porão
Parece que as minhas rezas é a ninguém que rogo
Entendo sua pressa, teu sangue é mais quente que o meu
Respeito tua crença, tua esperança é maior que a minha
Já vi tua vida, já tive dias iguais ao seu
Mas, hoje não lembro mais, de tudo que eu tinha
Ah, minhas mãos calejadas que amparam meus cabelos brancos
São deles o único brilho em meus olhos fundos
Tu ficas Calada, pois meu corpo te seduz
E tua falta a cada dia que passa, só me reduz
Glauberto Laderlac - Janeiro/2013
A VIDA PASSA ASSIM
Se eu tivesse curiosidade seria um cientista;
Se eu tivesse paciência seria médico;
Se eu tivesse pressa, piloto de corrida
;
Se fosse forte, talvez lutasse;
Se fosse bom de cálculos, economista;
Se eu fosse rico seria esnobe;
Se fosse pobre, humilde;
Se eu fosse leve, seria um monge;
Se fosse astuto, com certeza advogado;
Se fosse engraçado, humorista;
Se eu fosse sério, empresário;
Se eu fosse poliglota seria um diplomático;
Se eu tivesse coragem, um domador,
Se eu fosse medroso, um eremita;
Se eu tivesse beleza seria modelo;
Se tivesse talento, cantor;
Se eu fosse carismático, quem sabe um ator;
Se eu fosse mais novo, começaria antes;
Se eu já soubesse daria conselhos;
Se eu visse, contaria;
Se eu escutasse, diria;
Se eu, ainda, tivesse alguma ideia, continuaria a escrever.
Ah se eu fosse... Ah se eu tivesse... Ah se eu pudesse!
Autor : Glauberto Laderlac - 20/04/12
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